01 estudos linguisticos

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  • 1. 1 IIIIINTRODUO AOSNTRODUO AOSNTRODUO AOSNTRODUO AOSNTRODUO AOS EEEEESTUDOSSTUDOSSTUDOSSTUDOSSTUDOS LLLLLINGSTICOSINGSTICOSINGSTICOSINGSTICOSINGSTICOS

2. 2 Introduo aos Estudos Lingsticos copyright FTC EaD Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610 de 19/02/98. proibida a reproduo total ou parcial, por quaisquer meios, sem autorizao prvia, por escrito, da FTC EaD - Faculdade de Tecnologia e Cincias - Ensino a Distncia. www.ftc.br/ead PRODUO ACADMICA Gerente de Ensino Jane Freire Autor (a) Joalde Bandeira Superviso Ana PaulaAmorim PRODUO TCNICA Reviso Final Carlos Magno e Idalina Neta Imagens Corbis/Image100/Imagemsource EQUIPE DE ELABORAO/PRODUO DE MATERIAL DIDTICO: Presidente Vice-Presidente Superintendente Administrativo e Financeiro Superintendente de Ensino, Pesquisa e Extenso SOMESB Sociedade Mantenedora de Educao Superior da Bahia S/C Ltda. FTC - EaD Faculdade de Tecnologia e Cincias - Ensino a Distncia Diretor Geral Diretor Acadmico Diretor de Tecnologia Gerente Acadmico Gerente de Ensino Gerente de Suporte Tecnolgico Coord. de Softwares e Sistemas Coord. de Telecomunicaes e Hardware Coord. de Produo de Material Didtico Waldeck Ornelas Roberto Frederico Merhy Reinaldo de Oliveira Borba Ronaldo Costa Jane Freire Jean Carlo Nerone Romulo Augusto Merhy Osmane Chaves Joo Jacomel Gervsio Meneses de Oliveira William Oliveira Samuel Soares Germano Tabacof Pedro Daltro Gusmo da Silva Ilustrao Francisco Frana Jnior Equipe Ana Carolina Alves, Cefas Gomes, Delmara Brito, Ederson Paixo, Fabio Gonalves, Francisco Frana Jnior, Israel Dantas, Lucas do Vale e Marcus Bacelar 3. 3 SumrioSumrioSumrioSumrioSumrio VISO GERAL DA LINGSTICA HISTRIA E OBJETO DA LINGSTICA PRINCPIOS GERAIS DA LINGUAGEM Natureza do Signo Lingstico Perspectivas de enfoque: Sincronia, Diacronia, Anacronia Variao Lingstica Variao Diatpica ou Regional Variao Diastrtica ou Socioculturais Variao Diafsica ou Estilstica Variantes, Grias e Tabus Gria e Jargo Atividades Complementares Breve Histrico da Lingstica Objeto da Lingstica A linguagem, a lngua e a fala Alm do que est escrito... Aquisio da Linguagem Fases do Desenvolvimento da Linguagem Atividades Complementares Ramificaes da Lingstica Carter Cientfico da Lingstica PERSPECTIVA DO ENFOQUE LINGSTICO Histria; divises: Gramtica Tradicional Perodo Pr-Socrtico Perodo dos Esticos Perodo dosAlexandrinos Escolas e Movimentos Modernos Os Vrios Conceitos de Gramtica Fontica e Fonologia Fontica GRAMTICA: CONSIDERAOES GERAIS Significante e Significado 0 70 70 70 70 7 0 70 70 70 70 7 0 70 70 70 70 7 1 01 01 01 01 0 2 62 62 62 62 6 1 31 31 31 31 3 2 42 42 42 42 4 2 22 22 22 22 2 2 02 02 02 02 0 1 31 31 31 31 3 2 82 82 82 82 8 1 81 81 81 81 8 2 42 42 42 42 4 2 42 42 42 42 4 1 71 71 71 71 7 1 11 11 11 11 1 2 82 82 82 82 8 3 53 53 53 53 5 3 03 03 03 03 0 2 92 92 92 92 9 2 92 92 92 92 9 3 23 23 23 23 2 3 33 33 33 33 3 3 53 53 53 53 5 3 53 53 53 53 5 3 73 73 73 73 7 3 63 63 63 63 6 3 63 63 63 63 6 3 93 93 93 93 9 3 83 83 83 83 8 3 63 63 63 63 6 3 93 93 93 93 9 4. 4 Introduo aos Estudos Lingsticos Conceitos bsicos Atividades Complementares Classificao dos Sons Vogais Consoantes Semi-vogais Alfabeto Fontico Internacional A Fonologia Domnios da Fonologia NVEIS DE ESTRUTURAO DA LNGUA Morfologia Processos morfolgicos Sintaxe A Semntica e o Lxico. A Lexicologia e o Dicionrio Semntica Lexicologia Atividades Complementares Atividade Orientada Glossrio Referncias Agora Hora de Trabalhar Morfema zero 3 93 93 93 93 9 4 24 24 24 24 2 4 34 34 34 34 3 5 45 45 45 45 4 5 15 15 15 15 1 4 84 84 84 84 8 5 25 25 25 25 2 4 54 54 54 54 5 5 05 05 05 05 0 4 44 44 44 44 4 4 54 54 54 54 5 5 05 05 05 05 0 4 54 54 54 54 5 4 54 54 54 54 5 6 06 06 06 06 0 6 06 06 06 06 0 6 36 36 36 36 3 6 56 56 56 56 5 6 76 76 76 76 7 5 95 95 95 95 9 7 17 17 17 17 1 6 96 96 96 96 9 5. 5 Apresentao da disciplina Querido (a) Aluno (a) Um curso de Letras possibilita a aprendizagem e a reflexo sobre os fatos lingsticos e literrios. Iniciaremos a partir desta disciplina Introduo aos Estudos Lingsticos os estudos especficos do Curso. Estudar Lingstica possibilita ao professor da lngua materna um conhecimento mais estruturado, cientfico e profundo sobre como a lngua ptria constituda e como ela funciona enquanto instrumento de comunicao com uma dimenso social e histrica. O professor que domina esse conhecimento tem melhores condies de decidir o que pertinente trabalhar com os seus alunos e como estruturar as atividades que os ajudem a atingir um maior domnio da lngua e a ter uma maior e melhor competncia comunicativa. Este ser o contedo e o propsito da nossa disciplina. Entretanto, engana-se aquele que pensa que esta disciplina uma nova verso da Gramtica Normativa. Trataremos do conceito de Lingstica, linguagem, os tericos que se destacaram a exemplo de Edward Sapir, Ferdinand de Saussure, Leonard Bloomfield, Mikhail Mikhailovich Bakhtin, Roman Osipovich Jakobson, Noam Chomsky e Joaquim Mattoso CMARA JR. ou seja, temos muita gente nova a conhecer, assim como seus pressupostos tericos. Essa disciplina, a exemplo das anteriores, possui uma carga horria de 72 horas. Est dividida em dois blocos temticos, sendo que cada bloco ser trabalhado em duas semanas. Temos mais um desafio pela frente. Mas, como nos diz Madre Teresa de Calcut... Prof. Joalde Bandeira A Vida uma oportunidade, aproveita-a. A Vida beleza, admira-a. A Vida felicidade, saboreia-a. A Vida um sonho, torna-o realidade. A Vida um desafio, enfrenta- o. [...]A Vida uma aventura, encara-a. A Vida Vida, defende-a. Sucesso nas descobertas! 6. 6 Introduo aos Estudos Lingsticos 7. 7 VISO GERAL DA LINGSTICA HISTRIA E OBJETO DA LINGSTICA Para comear, vamos fazer algumas consideraes... A maior parte dos livros nos diz que a Lingstica o estudo cientfico da linguagem humana e das lnguas naturais lnguas faladas por toda a comunidade humana para a interao social. Aquele que se dedica a este estudo chamado de lingista. Parece simples este conceito, entretanto h uma diversidade de definies para o termo linguagem, gerando muita controvrsia. John Lyons (1997, p.15) diz que a pergunta o que linguagem? comparvel a o que a vida?. Para estudarmos Lingstica, fundamental conhecermos as respostas para esta pergunta. ou seja, muito temos a conhecer... Retomaremos esta questo no tema 2, no qual trataremos, especificamente, dos conceitos de lngua, linguagem e tambm Lingstica. Para o momento vamos pensar sobre o campo de atuao da Lingstica. A lingstica a parte do conhecimento mais fortemente debatida no mundo acadmico. Ela est encharcada com o sangue de poetas, telogos, filsofos, fillogos, psiclogos, bilogos e neurologistas alm de tambm ter um pouco de sangue proveniente de gramticos. (RYMER, p. 48) A fim de cumprir o seu objetivo bsico, que determinar a natureza da linguagem e a estrutura e funcionamento das lnguas, a Lingstica segue duas direes: Ramificaes da Lingstica 1 Busca desenvolver uma metodologia de trabalho que vai desde a delimitao de conceitos operatrios at a discusso e montagem de modelos descritivos e/ou explicativos dos fenmenos lingsticos. Assume assim um carter terico e geral, pois no se ocupa de nenhuma lngua em particular, mas dos fatos em geral e a maneira de abord-los. Suscita diversas correntes metodolgicas e vrios nveis de discusso. 8. 8 Introduo aos Estudos Lingsticos Vamos dar nomes a cada um dessas direes que a Lingstica segue. Trata-se da Lingstica Geral e da Lingstica Descritiva, respectivamente. E a, voc j ouviu estes nomes? 2 Busca observar e descrever lnguas testando mtodos e tcnicas visando descobrir como a estrutura da lngua e como funcionam as lnguas. Por estudar um nmero maior de lnguas, fornece material para, em mbito mais abstrato, determinar a natureza e os traos que compem a linguagem. preciso ainda clarear um pouco mais estes preciso ainda clarear um pouco mais estes preciso ainda clarear um pouco mais estes preciso ainda clarear um pouco mais estes preciso ainda clarear um pouco mais estes nononononovvvvvos conceitos?? Vos conceitos?? Vos conceitos?? Vos conceitos?? Vos conceitos?? Vamos l...amos l...amos l...amos l...amos l... Aparentemente, somos levados a pensar que h apenas uma divergncia entre Lingstica Geral e Descritiva, mas se observarmos atentamente veremos que h um ponto comum entre elas. Qual? O NOME e o VERBO. Para confirmar ou refutar a hiptese os lingsticas precisam operar com estes conceitos que foram fornecidos pela Lingstica Geral. Desse modo, a maior parte das pesquisas que esto sendo feitas atualmente sob o nome de Lingstica puramente descritiva, visto que bastante direta em si mesma. Correspondendo a estudar a linguagem e descrever determinadas lnguas,os seus autores esto procurando clarificar a natureza da linguagem sem usar juzos de valor ou tentar influenciar o seu desenvolvimento futuro. Naturalmente h uma diversidade de razes para se descrever uma lngua, que no somente fornecer dados para a Lingstica Geral, ou testar teorias e hipteses que geram conflito, mas porque querem apresentar uma gramtica de referncia ou um dicionrio para fins prticos. Como a linguagem interessa a diversas categorias, convm delimitar com muita clareza o campo de atuao do lingista, para que no se confunda ou penetre em outras disciplinas. Para isso, analisaremos agora trs dicotomias atravs das quais os autores dividem o campo da Lingstica: Convm ressaltar que a despeito de suas diferenas, elas se complementam, visto que a Lingstica Geral fornece conceitos e categorias em termos dos quais as lnguas sero analisadas; enquanto a Lingstica Descritiva fornecer os dados que confirmam ou refutam as proposies e teorias colocadas pela Lingstica Geral. Quem nos diz isso John Lyons. Para ilustrar, vamos ao exemplo: formula a hiptese de que em todas as lnguas h nomes e verbos refuta a hiptese demonstrando, mesmo empiricamente, que em uma determinada lngua os verbos no existem LINGSTICA DESCRITIVALINGSTICA GERAL 9. 9 1. sincrnica versus diacrnica 2. terica versus aplicada 3. microlingstica versus macrolingstica Assustado (a) com os termos? Calma! Vamos s definies... 1. Uma descrio sincrnica de uma lngua descreve esta lngua tal qual ela se encontra em determinada poca. J a descrio diacrnica, preocupa-se com o desenvolvimento histrico da lngua, assim como as mudanas estruturais que nela ocorreram. Entretanto, atualmente, essas duas abordagens tendem a uma convergncia, por vezes, tornando-se impossvel separ-las. 2. A lingstica terica objetiva a construo de uma teoria geral da estrutura da lngua ou a criao de um arcabouo terico geral para descrio das lnguas. Como o prprio nome diz, a lingstica aplicada a aplicao das descobertas e tcnicas do estudo cientfico da lngua para fins prticos, principalmente na elaborao de mtodos de aperfeioamento do ensino da lngua. A ttulo de esclarecimento, a distino entre lingstica terica e aplicada independe das outras duas. Na prtica, h pouca ou nenhuma diferena entre os termos lingstica terica e lingstica geral, visto que ambas partem do pressuposto de que o objetivo da terica formular uma teoria satisfatria da estrutura da linguagem em geral. Quanto lingstica aplicada, observa-se que ela se vale tanto do aspecto geral quanto do descritivo. Viu como no to complicado? A terceira dicotomia refere-se a uma viso mais estreita ou mais ampla dos propsitos da lingstica. Vale lembrar que estes termos ainda no esto estabelecidos definitivamente na teoria lingstica. 3. A microlingstica se refere a uma viso mais restrita, e a macrolingstica, a uma mais ampliada. Na concepo microlingstica, as lnguas devem ser analisadas em si mesmas e sem referncia a sua funo social, maneira como so adquiridas pelas crianas e aos mecanismos psicolgicos que subjazem produo e recepo da fala. Como diria Saussure, em si e por si. De forma mais ampla, a macrolingstica trata de tudo o que pertinente, de alguma forma seja qual for linguagem e s lnguas. Assim temos como campo de atuao: Fontica: o estudo dos diferentes sons empregados em linguagem; Fonologia: o estudo dos padres dos sons bsicos de uma lngua; Morfologia: o estudo da estrutura interna das palavras; Sintaxe: o estudo de como a linguagem combina palavras para formar frases gramaticais; Semntica: ou semntica lexical, o estudo dos sentidos das frases e das palavras que a integram; Lexicologia: o estudo do conjunto das palavras de um idioma, ramo de estudo que contribui para a lexicografia, rea de atuao dedicada elaborao de dicionrios, enciclopdias e outras obras que descrevem o uso ou o sentido do lxico. MICROLINGSTICA 10. 10 Introduo aos Estudos Lingsticos No h uma lista definitiva deste campo de atuao. H, inclusive, divergncia quanto a isso na fala de diversos estudiosos. Trataremos um pouco mais da microlingstica no prximo bloco! Cabe, tambm, uma pesquisa para maior aprofundamento do campo de atuao da macrolingstica. Fica a a sugesto... MACROLINGUSTICA Psicolingstica; Sociolingstica; Lingstica antropolgica; Dialetologia; Lingstica matemtica e computacional; Estilstica, etc. Como vimos no incio deste capitulo, a Lingstica definida como a cincia da linguagem ou, alternativamente, como estudo cientfico da linguagem. Para Lyons (2004, p.45) Lingstica uma disciplina cujo status cientfico inquestionvel, visto que sofre das implicaes muito especificas das palavras inglesas science e scientific que se referem, antes de qualquer coisa, s cincias naturais e aos mtodos de investigao que lhes so caractersticos. Quando se fala em cincia, as pessoas pensam logo nas cincias naturais como fsica, astronomia, biologia, e esquecem que as disciplinas de humanidades tambm so cincias. Atualmente, porm, a maioria das cincias humanas tem rigor metodolgico comparvel ao das cincias naturais, visto que usa ferramentas como a lgica e a matemtica para descrever seus objetos de estudo e construir teorias complexas. ALingstica foi decisiva para que as cincias humanas adquirissem esse rigor. Ela foi a primeira dessas disciplinas a se constituir como cincia, no final do sculo XVIII, com mtodo e objeto prprios e bem definidos, emprestando depois s demais o seu mtodo de pesquisa. Antigamente, a Lingstica no era autnoma, visto que se submetia s exigncias de outras disciplinas, a exemplo lgica, filosofia, histria. O sculo XX mudou completamente esta atitude, que se expressa atravs do carter cientfico dos novos estudos lingsticos, que esto centrados na observao dos fatos de linguagem. O mtodo cientfico admite que a observao dos fatos seja anterior ao estabelecimento de uma hiptese e que os fatos observados sejam examinados de forma sistemtica mediante experimentao e luz de uma teoria. Ora, partindo desse princpio, no h o que duvidar do carter cientfico da Lingstica. Para entender como isso ocorreu, podemos fazer uma viagem no tempo, desde a Antigidade, quando a curiosidade sobre a linguagem humana comeou a inquietar os filsofos e sbios, at os dias atuais. Carter Cientfico da Lingstica 11. 11 Tendemos a pensar que a Lingstica uma disciplina muito nova, visto que se estabeleceu em sua forma atual h algumas dcadas. Mas tem-se estudado a linguagem desde a inveno da escrita ou, quem sabe, at mesmo antes disso. Breve Histrico da Lingstica De incio, temos a Gramtica. Estudo inaugurado pelos gregos, ainda de forma filosfica, baseado na lgica e desprovida de qualquer viso cientfica e desinteressada da prpria lngua. Neste momento, visa unicamente formular regras para distinguir as formas corretas das incorretas. As primeiras discusses dos filsofos gregos centravam-se no problema da relao entre o pensamento e a palavra, isto , entre o conceito e o seu nome. Isto levou Plato a estabelecer a primeira classificao das palavras de que se tem conhecimento. Para ele, as palavras podem ser nomes e verbos. Depois dele Aristteles considerou uma outra classificao das palavras: nomes, verbos e partculas. Se aqui temos a primeira diviso da cadeia de sinais lingsticos pelo reconhecimento de uma diferena de categoria entre palavras, estamos diante de uma posio que toma como interesse a relao da linguagem com o conhecimento. Esta diviso entre nomes e verbos visa descrever a estrutura do juzo, que deve falar de como o mundo. De acordo com S. Auroux (1992), citado por Guimares (2001), a Gramtica pode ser considerada como elemento de uma das primeiras revolues tecnolgicas da histria do Homem. Ainda na antiguidade, fundamental mencionar a ndia, onde o interesse religioso levou a estudos bastante rigorosos dos aspectos fonolgicos do snscrito. Estes estudos objetivavam estabelecer de modo perfeito que som deveria ser produzido nos cnticos sagrados, para que eles tivessem validade sagrada. Neste caso, o que importa a correo da descrio de uma qualidade fnica, ou seja, a descrio da forma da lngua, nela mesma. Teremos oportunidade de fazer um estudo mais detido da histria da gramtica, por hora vamos dar um salto no tempo e sair direto daAntiguidade para o sculo XIX, tempo em que ocorreram muitas mudanas no campo da Lingstica. No incio do sculo XIX, considera-se o trabalho de Franz Bopp, Sobre o Sistema de Conjugaes do Snscrito, Grego, Latim, Persa e Lnguas Germnicas, publicado em 1816, como um marco para a constituio da lingstica comparativa. Outra obra fundamental a Gramtica Germnica de Grimm, de 1819. Antes deles pode-se considerar o trabalho de Rasmus Rask de 1811, publicado em 1818. Neste momento, a lingstica se apresenta tomando como objeto a mudana lingstica, motivada pela possibilidade de reconstituir o passado lingstico das lnguas europias e asiticas. A questo principal aqui so as relaes genealgicas entre as lnguas, e o objeto do lingista so as formas no seu processo de mudana. Assume uma forma para saber como ela era antes, a fim de reconstruir por comparao entre as lnguas aparentadas (consideradas da mesma famlia), o passado da forma em questo. Este procedimento, que se d no interior de uma posio naturalista, biolgica, visto que, nesta poca, a Lingstica considerada uma disciplina da Biologia. Na verdade, a linguagem to importante que, sem ela, no seramos capazes de pensar, pois todo pensamento estrutura-se na forma de alguma linguagem, seja ela verbal, visual, gestual, etc. O filsofo grego Parmnides (535-450 a.C.) j dizia que ser e pensar so uma s e a mesma coisa, idia reafirmada pelo filsofo francs Ren Descartes (1596-650) na famosa frase penso, logo existo. 12. 12 Introduo aos Estudos Lingsticos EM SNTESE... de concordncia geral que o fato mais extraordinrio dos estudos lingsticos do sc. XIX foi o desenvolvimento do mtodo comparativo, que resultou num conjunto de princpios pelos quais as lnguas poderiam se comparadas sistematicamente no tocante a seus sistemas fonticos, estrutura gramatical e vocabulrio, demonstrando, assim, que eram genealogicamente aparentadas Do mesmo modo que o francs, o italiano, o portugus, o romeno, o espanhol e outras lnguas romnicas tinham sido originadas do latim; o latim, o grego e o snscrito tiveram uma origem. Qual? De alguma lngua ainda mais antiga qual se costuma denominar de indo-europeu ou proto- indo-europeu. Esse enfoque foi amplamente adotado em outros campos sob o termo estruturalismo ou anlise estruturalista. Saussure tambm considerado o fundador da semiologia. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), Leonard Bloomfield e colaboradores desenvolveram material de ensino para uma variedade de lnguas cujo conhecimento era necessrio para o esforo de guerra. Este trabalho possibilitou o aumento da proeminncia do campo da lingstica, tornando-se uma disciplina reconhecida na maioria das universidades americanas somente aps a guerra. Noam Chomsky desenvolveu seu modelo formal de linguagem, conhecida como gramtica transformacional, sob a influncia de seu professor Zellig Harris, que por sua vez foi fortemente influenciado por Bloomfield. O modelo de Chomsky foi reconhecidamente dominante desde a dcada de 1960 at a de 1980 e desfruta ainda de elevada considerao em alguns crculos de lingistas. Steven Pinker tem se ocupado em clarificar e simplificar as idias de Chomsky com muito mais significncia para o estudo da linguagem em geral. (WIKPDIA, 2005) Edward Sapir (1884-1939) antroplogo e lingista, nascido na Alemanha, mas foi nos Estados Unidos que liderou o estudo da lingstica estrutural. Foi um dos primeiros a explorar as relaes entre os estudos lingsticos e a Antropologia. Sapir props uma perspectiva alternativa sobre a linguagem em 1921, ao sugerir que a linguagem influencia a forma de pensar dos indivduos. A idia de Sapir foi adaptada e desenvolvida durante a Dcada de 1940 por Whorf, dando origem Hiptese de Sapir-Whorf. Nesta teoria, os homens vivem segundo suas culturas em universos mentais muito distintos que esto expressos (e talvez determinados) pelas lnguas diferentes que falam. Deste modo, tambm o estudo das estruturas de uma lngua pode levar elucidao de uma concepo de um mundo que a acompanhe. Esta proposio suscitou o entusiasmo de uma gerao inteira de antroplogos, de psiclogos e de lingistas americanos e, em menor escala, europeus, No fim do sculo XIX e comecinho do sculo XX, acontece o que se chama da grande revoluo lingstica. Ferdinand de Saussure, (1857 -1913), um estudioso suo de indo-europeu, cujas aulas de lingstica geral, publicadas postumamente por seus alunos (Charles Bally e Albert Sechehaye), determinaram direo da anlise lingstica europia de 1920 em diante. *(p.306) Saiba MaisSaiba MaisSaiba MaisSaiba MaisSaiba Mais............... 13. 13 nos anos 40 e 50, antes de ser enfraquecida pela corrente cognitivista. Ela influenciou o estruturalismo francs e, apesar das refutaes formuladas, principalmente por etnlogos e sociolingistas neste meio-tempo, sua existncia persiste at hoje. Roman Osipovich Jakobson (1896 - 1982) foi um pensador russo que se tornou um dos maiores lingstas do sculo XX e pioneiro da anlise estrutural da linguagem, poesia e arte. Sua pesquisa foi decisiva para a constituio de um pensamento semitico vinculado arte do construtivismo e da Fonologia como campo de estudo dos sons da linguagem. Destacou-se, tambm, pelos estudos sobre afasia, pelo conceito de fonema como feixe de traos distintivos e da concepo de linguagem como processo de seleo e de combinao de signos. De mentalidade interdisciplinar, vincula a potica e a lingstica de tal maneira que Haroldo de Campos chegou a cham-lo de o poeta da lingstica. Estes so alguns dos nomes que, enquanto profissional das letras, precisamos conhecer. Foi apresentado um brevssimo histrico, cabe sua curiosidade e interesse em descobrir um pouco mais. A linguagem, a lngua e a fala Acostumamo-nos a considerar a comunicao como muito importante, j dizia o Velho Guerreiro Chacrinha quem no comunica se estrumbica. Todos os animais se comunicam de alguma forma e, em algum perodo em sua vida, seja para garantir a sua sobrevivncia seja por interativos biolgicos a fim de garantir a continuidade da espcie s possvel atravs de um mnimo de interao. A freqncia e a extenso da atividade comunicativa esto ligadas aos meios que a espcie dispe para tal fim. Embora seja muito interessante estudar a comunicao dos animais, o nosso foco ser a comunicao humana, pois nesta espcie que a comunicao atinge o seu mais alto grau de complexidade. Os homens se servem dos mais diversos expedientes para entrarem em contato uns com os outros. Costuma-se dar o nome de linguagem a qualquer dessas formas de comunicao. Desde os tempos mais remotos, este termo utilizado para associar uma cadeia sonora (voz) produzida pelo aparelho fonador a um contedo significativo e utilizar o resultado dessa associao para interao social, tendo em vista que tal aptido consiste no somente em produzir e enviar, mas tambm em receber e reagir , efetivando o processo de comunicao. Atravs dessa compreenso, a linguagem aparece como o mais eficaz instrumento natural de comunicao disposio do homem. O desenvolvimento dos estudos lingsticos fez com que muitos estudiosos propusessem definies de linguagem, semelhantes em alguns pontos e divergentes em tantos outros. Estudaremos aqui as apresentadas por Saussure e Chomsky, visto que pressupem uma teoria geral da linguagem e da anlise lingstica. Saussure considerou a linguagem heterclita e multifacetada, visto que abrange vrios domnios - ao mesmo tempo fsica, fisiolgica e psquica - pertence ao domnio individual e social; desse modo no se deixa classificar em nenhuma categoria de fatos humanos, pois no se sabe como inferir sua unidade (1969, p.17). A linguagem, em sua diversidade e complexidade, tambm estuda por outras cincias, a exemplo da Psicologia e a Antropologia, alm da Lingstica. A fim de melhor especificar o objeto da Lingstica, Objeto da Lingstica 14. 14 Introduo aos Estudos Lingsticos Saussure distingue a linguagem da lngua um objeto unificado e suscetvel de classificao. Define que a lngua uma parte essencial da linguagem. Mas o que mesmo a lngua?Mas o que mesmo a lngua?Mas o que mesmo a lngua?Mas o que mesmo a lngua?Mas o que mesmo a lngua? Muitos de ns confunde lngua e linguagem. Mas no a mesma coisa? nos perguntamos. Vocs conhecem este poema de Gregrio de Matos O todo sem a parte no o todo; A parte sem o todo no parte; Mas se a parte o faz todo, sendo parte, No se diga que parte, sendo o todo. Este poema nos possibilita fazer uma analogia entre os conceitos de lngua e linguagem, observe: a linguagem ao mesmo tempo um produto social da faculdade de linguagem e um conjunto de convenes necessrias adotadas pelo corpo social para permitir esse exerccio nos indivduos. Tomada em seu todo, a linguagem uma cavaleiro de diferentes domnios- fsica, fisiolgica e psquica, visto que pertence ao domnio social e individual, no se deixando classificar em nenhuma categoria de fatos humanos, pois no se sabe como inferir a sua unidade; a lngua, ao contrrio, um todo por si e um princpio de classificao da a analogia feita com o poema desde que lhe demos o primeiro lugar entre os fatos da linguagem. Voltando ao mestre Saussure, a lngua, para ele, um sistema de signos ou seja, um conjunto de unidades que se relacionam organizadamente dentro de um todo. a parte social da linguagem, exterior ao indivduo e obedece s leis do contrato social estabelecido pelos membros da comunidade. O conjunto linguagem-lngua comporta, ainda, um outro elemento, conforme Saussure, a fala. Afala um ato individual, resulta das combinaes feitas pelo sujeito falante utilizando o cdigo da lngua; expressada pelos mecanismos psicofsicos (atos de fonao) necessrios produo dessas combinaes. A distino linguagem/lngua/fala situa, segundo Saussure, o objeto da Lingstica. Decorre da a diviso do estudo da linguagem em duas partes: uma que investiga a lngua (langue) e outra que analisa a fala (parole). As duas partes so interdependentes, visto que a lngua a condio para produzir a fala, assim como no h lngua sem o exerccio da fala. Desse modo, ele destaca a necessidade de duas lingsticas a lingstica da lngua e a lingstica da fala. Saussure focou seu trabalho na lingstica da lngua produto social depositado no crebro de cada um, um sistema supra-individual que a sociedade impe ao falante. 15. 15 Esquematicamente, poderamos apresentar os seguintes traos bsicos: Os seguidores dos princpios saussureanos se empenham em explicar a lngua por ela prpria, examinando as relaes que unem os elementos no discurso, procurando determinar o valor funcional desses diferentes tipos de relaes.Ateoria de anlise lingstica desenvolvida por eles, em herana a Saussure, foi denominada de estruturalismo tema que ser mais detidamente estudado. Pausa para respirar, antes de passarmos s idias de Chomsky... Aula de Portugus Carlos Drummond de Andrade A linguagem na ponta da lngua, to fcil de falar e de entender A linguagem na superfcie estrelada de estrelas, sabe l o que ela quer dizer? Professor Carlos Gis, ele quem sabe, e vai desmatando o amazonas de minha ignorncia. Figuras de gramtica, esquipticas, atropelam-me, aturdem-me, seqestram-me. J esqueci a lngua em que comia, em que pedia para ir l fora, em que levava e dava pontap, a lngua, breve lngua entrecortada LNGUA FALA subjacente concreto potencial real supra-individual, coletivo individual variedadeassistemticoregularidadesistemtica 16. 16 Introduo aos Estudos Lingsticos do namoro com a prima. O portugus so dois; o outro, mistrio. Carlos Drummond de Andrade, Obra Potica, 7 Volume Voc j conhecia este poema de Drummond? Observe que ele faz, de forma potica, algumas consideraes sobre a linguagem e a lngua. E voc o que pensa sobre a dupla existncia do portugus? Agora vamos a Chomsky! Em meados do sculo XX, Noam Chomsky trouxe para os estudos lingsticos uma nova onda de transformao. Em seu livro Syntactic Structures (1957, p.13), ele afirma doravante considerarei uma linguagem como um conjunto (finito ou infinito) de sentenas, cada uma finita em comprimento e construda a partir de um conjunto finito de elementos. Ao refletirmos sobre esta definio, percebemos que ela vai alm das lnguas naturais, mas, de acordo com o prprio Chomsky, todas as lnguas naturais so, seja na forma falada ou escrita, linguagens, no sentido de sua definio, uma vez que: toda lngua natural possui um nmero finito de sons (e um nmero finito de sinais grficos que os representam, se for escrito); mesmo que as sentenas distintas da lngua sejam em nmero infinito, cada sentena s pode ser representada como uma seqncia finita desses sons (ou letras). Ao lingista, que descreve qualquer uma das lnguas naturais, cabe determinar quais dessas seqncias finitas de elementos so sentenas e quais no so - isto significa reconhecer o que se diz e o que no se diz naquela lngua. Chomsky acredita que tais propriedades so to abstratas, complexas e especficas que no poderiam ser aprendidas a partir do nada por uma criana em fase de aquisio da linguagem. Para ele, essas propriedades so conhecidas da criana antes do seu contato com qualquer lngua natural e devem ser acionadas durante o processo de aquisio da linguagem. Portanto, para Chomsky, a linguagem uma capacidade inata e especfica da espcie humana ou seja, transmitida geneticamente e prpria da espcie humana. Desse modo, existem propriedades universais da linguagem, de acordo com Chomsky e aqueles que partilham destas idias.Ateoria desenvolvida por eles, denominada de gerativismo tema que estudaremos mais detidamente nas prximas aulas - baseia-se na rapidez espantosa com a qual as crianas aprendem lnguas, pelos passos semelhantes dados por todas as crianas quando esto a aprender lnguas e pelo fato que as crianas realizarem certos erros caractersticos quando aprendem sua lngua-me, enquanto que outros tipos de erros aparentemente lgicos nunca ocorrem. Isto sucede precisamente, segundo Chomsky, porque as crianas esto a empregar um mecanismo puramente geral (isto , baseado em sua mente) e no especfico (isto , no baseado na lngua que est sendo aprendida). Do mesmo modo Saussure que separa lngua (langue) da fala (parole), ou que lingstico do que no enquanto Chomsky distingue competncia de desempenho. A competncia lingstica a poro do conhecimento do sistema lingstico do falante que lhe permite produzir o conjunto de sentenas de sua lngua: um conjunto de regras que o falante construiu em sua mente pela aplicao de sua capacidade inata para a aquisio * * 17. 17 da linguagem aos dados lingsticos que ouviu durante a sua infncia. J o desempenho corresponde ao comportamento lingstico, resultando no apenas da competncia lingstica do falante, mas tambm de fatores no lingsticos, a exemplo de convenes sociais, crenas, atitudes emocionais do falante em relao ao que diz, pressupostos sobre as atitudes do interlocutor, etc., de um lado; e por outro, o funcionamento dos mecanismos psicolgicos e fisiolgicos envolvidos na produo dos enunciados. Assim o desempenho pressupe a competncia ao passo que a competncia no pressupe desempenho. Querido aluno, detivemo-nos em estudar as teorias lingsticas que norteiam a linguagem. Entretanto, importante ressaltar que A linguagem verbal a forma de comunicao mais presente em nosso cotidiano, uma vez que mediante a palavra falada ou escrita, expomos aos outros as nossas idias e pensamentos, comunicando-nos por meio desse cdigo verbal imprescindvel em nossas vidas. Entretanto, para que a comunicao humana se processe, h outras formas de linguagens. A linguagem no-verbal constituda pelos outros elementos envolvidos na comunicao, a saber: gestos, tom de voz, postura corporal, o desenho, a dana, os sons, os gestos, as cores, etc. As mensagens em linguagem corporal, por exemplo, so enviadas e recebidas inconscientes e involuntariamente. Seu uso varia de um pas para o outro, e at dentro de um mesmo pas, mas os princpios bsicos so universais. Na verdade, a linguagem no-verbal como se conversssemos nas entrelinhas, assim como precisamos fazer para compreender os textos, ou seja, precisamos ir alm do que est escrito. Alm do que est escrito... Para ilustrar, pense na seguinte situao: Uma histria estava sendo contada... No final, as pessoas do grupo ficaram assim: Observe que: lngua sistema lingstico socializado de Saussure - aproxima a Lingstica da Sociologia ou da Psicologia Social; competncia conhecimento lingstico internalizado de Chomsky aproxima a Lingstica da Psicologia Cognitiva ou da Biologia. 18. 18 Introduo aos Estudos Lingsticos Quem de fato gostou da histria? Quais as reaes despertadas? Para responder a estas perguntas, voc no leu palavras, mas expresses. Ou seja, observou a linguagem corporal - o modo como estamos de p ou sentados e os gestos que fazemos reflete sutilmente nossos sentimentos em relao s pessoas com quem estamos interagindo e situao em que nos encontramos. Em nossas salas de aula, precisamos ser craques na leitura corporal, pois os nossos alunos nos transmitem silenciosamente seus sentimentos, se a aula est boa ou no, aquela carinha de interrogao ou at mesmo se est dando um passeio nas nuvens... Desde o nosso nascimento, mergulhamos no mundo da linguagem, da fala, da lngua do meio em que vivemos. Crescemos ouvindo nossos pais e familiares falarem conosco, fazendo uso de gestos e sinais, atravs da fala, das palavras. Assim comeamos a compreender o mundo, aprendemos as nossas primeiras palavras, a linguagem gestual, o nome das coisas que existem ao nosso redor... Recapitulando o conceito de linguagem humana, atravs de Gerber (1996, p.52) que bastante elucidativo, observe: linguagem um sistema finito de princpios e regras que permitem que um falante codifique significado em sons e o ouvinte decodifique sons em significado. Este sistema da linguagem norteado por regras finito, pois precisa ser armazenado no crebro. Paradoxalmente, possui a propriedade de ser infinitamente criativo, uma vez que possibilita ao falante/ouvinte criar e entender um conjunto infinito de sentenas gramaticais novas. Conversamos anteriormente sobre as concepes de linguagem sob o ponto de vista de Chomsky e Saussure. Agora, trataremos sobre a aquisio da linguagem, ou seja, como a linguagem adquirida pelos seres humanos. Convm iniciar fazendo uma distino entre desempenho e competncia de linguagem, porquanto no sejam sinnimos, pois o desempenho inclui e afetada por outras competncias, como o conhecimento conceitual, social e pragmtico. J a competncia afetada por fatores como memria ateno e fadiga. H uma infinidade de teorias e tericos que tratam deste tema, dentre estes, Gerber, j mencionada anteriormente, nos apresenta cinco abordagens sobre a aquisio da linguagem: Aquisio da Linguagem 1 abordagem da teoria social: foca os efeitos do input de linguagem provido pela pessoa que cuida do beb sobre a produo de linguagem da criana, e os contextos sociais do incio da infncia; 2 abordagem de modelo de competio: surge do paradigma de processamento de informaes e tentativas de responder pelas variaes individuais na aprendizagem da linguagem; 19. 19 3 abordagem de teoria cognitivista: que percebe a linguagem como dependente e surgindo de princpios gerais e conceitos da cognio; 4 abordagem da teoria comportamental: v a linguagem como semelhante a todos os outros comportamentos aprendidos e como aprendizagem estmulo- resposta; Voc deve estar se perguntando: tantas abordagens tornam claro o que deve ou como se processa a aquisio da linguagem? Bom a resposta : no e sim. Como pode ser??? NO, porque h muita discordncia quanto a como considerar os fatos da aquisio, uma vez que os prprios tericos, pela suas diferentes orientaes e tambm formao, sentem dificuldade em concordar uns com os outros. Contudo, podemos dizer que SIM, porque diferentes abordagens nos faro refletir sobre diversos enfoques possveis para o tema, com isso, aprenderemos um pouco mais. Dentre estas abordagens, trataremos especificamente da teoria lingstica, visto ser este o foco de nossa disciplina. Chomsky chamou ateno para dois fatos fundamentais sobre a linguagem. Em primeiro lugar, cada frase dita ou ouvida uma nova combinao de palavras, que aparece pela primeira vez na histria do universo. Por isso, uma lngua no pode ser um repertrio de respostas. Sugere, em sua teoria, que no crebro uma gramtica prvia que possibilita ao falante construir um nmero infinito de frases a partir de uma lista finita de palavras. O que denominado de Gramtica Universal. A gramtica universal consiste em subsistemas interagentes de princpios e regras que so comuns linguagem em gral. As linguagens particulares se caracterizam como variveis ao longo de determinados parmetros, em termos dos modos nos quais os princpios so acionados. (GERBER, p.57) Em Stenberg (2000), Chomsky nos apresenta o seguinte exemplo: se um cientista marciano observasse crianas numa comunidade de linguagem nica, ele concluiria que a linguagem quase completamente inata. Esse exemplo nos leva transporta ao segundo fato observado por Chomsky - o ritmo que as crianas adquirem palavras e o conhecimento da gramtica sem que tenham sido ensinadas -. Para ele, o desenvolvimento desta aquisio to rpida que no pode ser explicado apenas pelos princpios da aprendizagem, pois considera que h uma pobreza de estmulo.As crianas criam frases, que nunca ouviram antes, e por isso mesmo no podem estar imitando.Alm disso, muitos dos erros cometidos por crianas pequenas resultam do excesso de generalizao das regras gramaticais lgicas. Naturalmente, esta teoria de Chomsky e seus seguidores, no aceita por todos os tericos. A principal crtica a essa abordagem a de que no considera as diferenas individuais na aquisio da linguagem, porquanto no distinga raa, classe social, inteligncia ou conhecimento cultural. 5 abordagem da teoria lingstica: que v a linguagem como surgindo de uma estrutura cognitiva inata e especfica, resultando do estabelecimento de parmetros para os princpios de uma gramtica universal (UG). 20. 20 Introduo aos Estudos Lingsticos Por que os bebs no nascem falando? Segundo Pinker (2002) citado por Raposo e Vaz (2005), os bebs humanos nascem antes de seus crebros estarem completamente formados. Caso os seres humanos permanecessem na barriga da me por um perodo semelhante ao de outros primatas, nasceriam aos dezoito meses, exatamente a idade na qual os bebs comeam a falar, portanto, nasceriam falando. No curioso?? O crebro do beb muda consideravelmente depois do nascimento. Nesse momento, os neurnios j esto formados e j migraram para as suas posies no crebro, mas o tamanho da cabea, o peso do crebro e a espessura do crtex cerebral, onde se localizam as sinapses, continuam a aumentar no primeiro ano de vida. Conexes a longa distncia no se completam antes do nono ms e a bainha de mielina continua se adensando durante toda a infncia.As sinapses aumentam significativamente entre o nono e o vigsimo quarto ms, a ponto de terem 50% a mais de sinapses que os adultos. A atividade metablica atinge nveis adultos entre o nono e o dcimo ms, mas continuam aumentando at os quatro anos. O crebro tambm perde material neural nessa fase. Um enorme nmero de neurnios morre ainda na barriga da me, essa perda continua nos dois primeiros anos e s se estabiliza aos sete anos. As sinapses tambm diminuem a partir dos dois anos at a adolescncia quando a atividade metablica se equilibra com a do adulto. Dessa forma, pode ser que a aquisio da linguagem dependa da maturao cerebral e que as fases de balbucio, primeiras palavras e aquisio de gramtica exijam nveis mnimos de tamanho cerebral, de conexes a longa distncia e de sinapses, particularmente nas regies responsveis pela linguagem. (PINKER, 2002; apud RAPOSO E VAZ, 2005) E tudo comea com um balbucio ... Os tericos costumam dividir o estgio inicial da aquisio de linguagem em duas fases: pr-lingstica e lingstica. No estgio pr-lingstico, a capacidade lingstica da criana desenvolve-se sem qualquer produo lingstica identificvel. Este perodo se estende, aproximadamente, at o 10 ms de idade. caracterizado, basicamente, por vocalizaes incompreensveis e, a partir dos nove meses de idade, por algumas palavras to mal formuladas que dificilmente so compreendidas. Nesta fase, as vocalizaes no possuem ainda funo representativa, ou seja, uma relao objetiva entre os sons, conceitos e objetos. Com o aparecimento das primeiras palavras esta funo comea a se estabelecer. Na fase lingstica, quando a criana comea a falar palavras isoladas com certa compreenso. Posteriormente, a criana progride na escalada de complexidade da expresso. Fases do Desenvolvimento da Linguagem Veja, na pgina seguinte, a sntese do desenvolvimento da linguagem apresentada por Schirmer, Fontoura e Nunes (2004). Este processo contnuo e ocorre de forma ordenada e seqencial, com sobreposio considervel entre as diferentes etapas deste desenvolvimento. * * 21. 21 1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567 1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567 1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567 1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567 1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567 1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567 1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567 1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567 1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567 1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567 RECEPTIVO IDADE EXPRESSIVO Assusta-se Aquieta-se ao som de voz 0-6 semanas Vira-se para a fonte de voz Observa com ateno objetos e fatos do ambiente Choros diferenciados e sons primitivos Aparecem os sons vogais (V) 3 meses Primeiras consoantes (C) ouvidas so p/b e k/g. Inicia balbucio Responde com tons emotivos voz materna 6 meses Entende pedidos simples com dicas atravs de gestos Balbucio (seqncias de CVCV sem mudar a consoante) Ex.: dudad.. 9 meses Entendemuitaspalavrasfamiliares e ordens simples associadas a gestos Ex. vem com o papai.. 12 meses Conhece algumas partes do corpo. Acha objetos a pedido Brincadeira simblica com miniaturas Comea a dizer as primeiras palavras, como: mam, pap ou dad.. Segue instrues envolvendo dois conceitos verbais (os quais so substantivos). Ex:coloque o copo na caixa.. 24 meses Tem um vocabulrio de cerca de 150 palavras. Usa combinao de duas ou trs. Conhece diversas cores. Reconhece plurais 36 meses Comea a aprender conceitos abstratos (duro, mole, liso).Linguagem usada para raciocnio.Entende se, por que, quanto.Compreende 1.500 a 2.000 palavras. Inicia o uso de artigos, plurais, preposies, pronomes que diferenciam os sexos, adjetivos, e verbos auxiliares. Imita sons. Entende no e tchau.. Jargo. Balbucio no-reduplicativo(seqncia CVC ou VCV) Poder ter de 30 a 40 palavras (mam, beb, miau, p, o-o,upa).Comea a combinar duas palavras (d pap). 18 meses Entende primeiros verbos. Entende instrues envolvendo at trs conceitos. Ex:coloque a boneca grande na cadeira 30 meses Usa habitualmente linguagem telegrfica (beb, pap, po, mam vai pap). 48 meses Formula frases corretas, faz perguntas, usa a negao, fala de acontecimentos no passado ou antecipa outros no futuro. 22. 22 Introduo aos Estudos Lingsticos As mesmas autoras nos dizem que o processo de aquisio da linguagem envolve o desenvolvimento de quatro sistemas interdependentes: o pragmtico, que se refere ao uso comunicativo da linguagem num contexto social; o fonolgico, envolvendo a percepo e a produo de sons para formar palavras; o semntico, respeitando as palavras e seu significado; e o gramatical, compreendendo as regras sintticas e morfolgicas para combinar palavras em frases compreensveis. Os sistemas fonolgico e gramatical conferem linguagem a sua forma. O sistema pragmtico descreve o modo como a linguagem deve ser adaptada a situaes sociais especficas, transmitindo emoes e enfatizando significados.Ainteno de comunicar-se pode ser demonstrada de forma no-verbal atravs da expresso facial, sinais, e tambm quando a criana comea a responder, esperar pela vez, questionar e argumentar. Essa competncia comunicativa reflete a noo de que o conhecimento da adequao da linguagem a determinada situao e a aprendizagem das regras sociais de comunicao to importante quanto o conhecimento semntico e gramatical. Diversos estudos so efetuados para melhor compreenso deste processo e tambm das anomalias que interferem neste desenvolvimento. O processo de aquisio da linguagem bastante complexo, mas tambm muitssimo interessante. D vontade de s ficar falando nisso, mas temos um oceano a atravessar.. AtividadesAtividadesAtividadesAtividadesAtividades ComplementaresComplementaresComplementaresComplementaresComplementares Nesta semana comeamos a ter contato com uma nova disciplina a Lingstica ainda estamos dando os primeiros passos, mas j foi possvel perceber qual a importncia deste estudo para os profissionais das Letras ou seja Ns! Ento, a partir deste contedo, elabore um texto analisando o papel da Lingstica na formao do professor da rea de Letras. 11111..... 23. 23 A Linguagem e a Lngua (Por Domingos Oliveira Medeiros) A lngua muscular O rgo alongado Que fica bem situado A lngua pra degustar .................................... E para deglutinar A lngua que se fala A lngua que se cala Com ela se escreve Com ela ningum se atreve Chupar somente uma bala .................................... A lngua que falada A lngua que escrita A lngua que prescrita A lngua que molhada A lngua que colada No selo daquela carta A lngua de quem se farta L vai levando a mensagem Por toda aquela passagem A lngua que se descarta ........................................... Linguagem expresso Cultura de um povo O velho e o novo O verbo e a razo Palavra e palavro A lngua articular O modo de se falar A lngua do que dito E pra guardar eu repito Para se comunicar (Fonte: Usina de Letras) Observe que o poeta faz algumas consideraes sobre a lngua, a linguagem e a fala. Identifique os conceitos presentes e, luz dos nossos estudos, explique-os! Destacamos em nosso estudo a aquisio da linguagem humana. Elabore um texto relatando uma experincia vivida quanto aquisio da linguagem - filho, neto, sobrinho, vizinho no importa de quem, mas a sua percepo sobre esta aquisio. 3.3.3.3.3. Leia atentamente o texto abaixo, trata-se de uma cantiga de cordel:2.2.2.2.2. 24. 24 Introduo aos Estudos Lingsticos A partir de agora, iniciaremos nossos estudos sobre alguns conceitos mais especficos da Lingstica. PRINCPIOS GERAIS DA LINGUAGEM Conversamos anteriormente sobre a fala. Vimos que ela a realizao das possibilidades oferecidas pela lngua. Deste modo, um ato individual e momentneo no qual interferem fatores extralingsticos. Vimos tambm que h uma interdependncia entre lngua e fala. Por seu carter homogneo, Saussure considera a lngua sistema de signos - como o objeto especfico da Lingstica. Este mesmo autor nos diz que um signo combinao de um conceito com uma imagem sonora. Observe que quando algum lhe diz: ganhei rosas o que acontece imediatamente? Voc mentalmente cria uma imagem mental e visualiza a escrita da palavra. Este o conceito de signo lingstico. Ou seja, um conjunto formado de duas partes: uma perceptvel, ou imagem acstica - o significante - e uma inteligvel, ou a idia que o complexo sonoro desperta no ouvinte, o conceito o significado. Observe a ilustrao: Natureza do Signo Lingstico importante destacar que o signo no uma coisa e uma palavra, mas um conceito e uma imagem acstica. Esta imagem sonora algo mental, visto que possvel a uma pessoa falar consigo prpria sem mover os lbios. Mas, em geral, as imagens sonoras so usadas para produzir uma elocuo. Para ilustrar o conceito de signo: significante significado face material face imaterial SIGNO sons conceito (R-O-S-A) ( ) IMAGEMACSTICA CONCEITO R O S A Significante Significado 25. 25 Para definir a relao de que a lngua e pensamento so indissociveis, Saussure criou uma analogia com a folha de papel: se rasgarmos o papel, afetamos ambos os lados da folha verso e anverso. Podemos ampliar este exemplo tambm para os componentes do signo, o significado e o significante.Alngua, para Saussure, a expresso do pensamento que, sem ela, uma massa amorfa e indistinta. A expresso no se d diretamente do pensamento aos sons: ela mediada pela lngua, que um sistema de signos. nesta relao que se estabelece no sistema que os signos adquirem seu valor, que significam. A lngua no um sistema de signos justapostos, mas uma rede de signos que se relacionam e, assim, significam. Para melhor compreender esta relao, Saussure estabeleceu dois princpios: o da arbitrariedade dos signos e o carter linear dos significantes. Vamos a eles: O signo lingstico traz ainda como caractersticas, segundo Saussure, a mutabilidade e imutabilidade do signo. Paradoxalmente, o signo lingstico simultaneamente mutvel e imutvel. Parece ser uma contradio, mas a contradio desaparece atendendo s diferentes perspectivas em que o signo mutvel e imutvel. O signo imutvel pela simples razo de que relativamente comunidade lingstica que o emprega, o signo no livre, mas imposto. O povo no consultado, e o significante escolhido pela lngua no poderia ser substitudo por qualquer outro. Por que os signos so arbitrrios? Ser que ao pensar em rosa poderamos criar outra seqncia de sons que no a /r/-/o/-/s/-/a/ que lhe serve de significante? A resposta ser no, se considerarmos que a lngua um conjunto de convenes e realmente precisa ser assim adotada por uma comunidade lingstica para se comunicar. Entretanto, em outras lnguas tal idia pode ser representada por outros significantes, rose (ingls) por exemplo. Em contrapartida, o signo lingstico tambm aparece como mutvel, pois a lngua, enquanto instituio social est sujeita ao do tempo. O tempo que assegura a continuidade da lngua, tem um outro efeito, primeira vista contraditrio em relao ao primeiro: o de alterar mais ou menos rapidamente os signos lingsticos, e, num certo sentido, podemos falar ao mesmo tempo de imutabilidade e da mutabilidade do signo. A mutao 1 O segundo princpio se refere ao carter linear do significante. Sendo o significante de natureza auditiva, desenvolve-se na cadeia do tempo de modo que os signos se apresentam obrigatoriamente uns aps os outros, formando assim uma cadeia a da fala, cuja estrutura linear em virtude disto, analisvel e quantificvel. 2 * A lngua aparece, pois, como um corpo imutvel, independente no s do sujeito como da prpria comunidade lingstica que a utiliza. Em qualquer poca, e por muito que recuemos, a lngua aparece como uma herana dura gerao precedente. 26. 26 Introduo aos Estudos Lingsticos provocada pelo tempo sobre a lngua consiste fundamentalmente num desvio na relao entre significante e significado. O prprio Saussure, atravs de uma analogia com o jogo de xadrez se encarrega de ilustrar, o que, a princpio pode parecer uma contradio. Ele nos diz que se substituirmos as peas de madeira por peas de marfim, a troca no far nenhuma diferena. Entretanto, se diminuirmos ou aumentarmos o nmero de peas, essa mudana, com certeza, afetar a gramtica do xadrez... A lngua altera-se no tempo, mas no por causa dele (BORBA, 2003, p.70) Vimos que a lngua no esttica, muito pelo contrrio, um mecanismo dinmico em constante transformao. Como elemento essencial para os estudos lingsticos, ela pode ser estudada sob trs pontos de vista: Perspectivas de enfoque: Sincronia, Diacronia, Anacromia Voc percebeu que estes trs pontos de vista tm relao com o tempo? Vamos dar os nomes a cada um destes enfoques. O primeiro deles considera os fatos lingsticos independente do seu real funcionamento porque o seu campo de interesse est centrado no exame de suas possibilidades de funcionamento, ou seja, descrevem ou explicam quanto sua natureza e funo este o enfoque anacrnico. O segundo enfoque, o que ser observado so os fatos ou dados concretos em funcionamento, ou seja, a sua maior preocupao ser descrever o funcionamento concreto da lngua em um dado momento e lugar, procura conhecer o estado de lngua - este o enfoque sincrnico. O terceiro enfoque, naturalmente ser o diacrnico. Neste, observa-se as mudanas que a lngua sofre com o decorrer do tempo, ou seja, detectam-se as alteraes sofridas pela lngua no decorrer do tempo. Convm destacar que o estudo anacrnico, por se deter no modo de ser dos fatos, atemporal, pois tanto pode referir-se ao passado, ao presente ou mesmo predizer o que acontecer no futuro. Diz-se, assim, que este ponto de vista examina o mecanismo lingstico como potencial, enquanto conjunto de possibilidades ou como uma mquina lgica. Os enfoques sincrnicos e diacrnicos, apesar das caractersticas distintas, no devem ser considerados como estanques. Na verdade, completam-se, visto que a lngua * * * quanto ao seu modo de ser; ao seu funcionamento; quanto s suas transformaes ou evoluo. 27. 27 no esttica e, desse modo, no uma realidade sincrnica. A sincronia , ento, uma operao abstrativa e, de certa forma, redutora. Nesse sentido, precisa ser completada pela viso diacrnica. Por outro lado, a sincronia v a lngua como um jogo de relaes num conjunto coerente e regular. Veja um exemplo, apresentado por Borba (2003, p.72), que esclarece estes conceitos: Sincronicamente o plural dos nomes (substantivos e adjetivos) funciona assim: 1) nomes terminados em vogais recebem o (s): menino-s, bode-s 2) nomes terminados em (r, -s, -z) recebem o (es): mar- es, mes-es, feroz-es; 3) nomes terminados em (l) mudam o (i) em (is): anima -is, cru -is, azu- is Para as regras acima, temos que observar o seguinte: Consideraes de ordem diacrnica mostram a regularidade desses fenmenos. Inicialmente sabemos que o morfema de plural o s porque assim terminava o acusativo plural latino, caso que gerou as formas do portugus. Esse s acrescenta-se a diferentes tipos de radicais. Exemplo: Rosa/rosas, lobo/lobos, etc... Ufa! Parafraseando Machado deAssis: Voc ainda est a, caro leitor? Se estiver, fique tranqilo, pararemos as regras gramaticais por aqui, e vamos leitura de um poema de Mrio de Andrade, que nos faz refletir sobre o nosso prximo tpico: se a vogal pertence ao ditongo (ao), h trs possibilidades: mo, irmo mos, irmos po, co pes, ces drago, leo drages, lees se o (s) est em slaba tona, a palavra no varia: um dois lpis o os alferes este estes ourives a terminao em ( il) comporta-se assim: (il) tnico (il) tono perde o (e) recebe o (s): funil/funis, anil/anis perde o (il) e acrescenta-se o (eis): fssil/fsseis, dcil/eis Que importa que uns falem mole descansado Que os cariocas arranhem os erres na garganta Que os capixabas e paroaras escancarem as vogais? Que tem si o quinhentos ris meridional Vira tostes do Rio pro Norte? Juntos formamos este assombro de misria e grandezas, Brasil, nome de vegetal... 28. 28 Introduo aos Estudos Lingsticos Variao Lingstica Segundo Dubois (1973, p.609), variao o fenmeno no qual, na prtica corrente, uma lngua determinada no jamais, numa poca, num lugar e num grupo social dados, idntica ao que ela noutra poca, em outro lugar e em outro grupo social. Ou seja, perceber que a lngua um organismo vivo, conforme j nos disse Saussure. Assim, uma varivel lingstica caracterizada como forma alternante de se transmitir um mesmo contedo. Ilude-se quem pensa que o portugus, lngua majoritria no Brasil, constitui uma realidade nica e homognea. Sujeito ao fenmeno da variao, prprio a todas as lnguas, a lngua portuguesa do Brasil apresenta diversidade interna correlacionada com o espao geogrfico, o estrato sociocultural, a faixa etria e o sexo prprios do falante. Desse modo, falantes de diferentes regies do pas mostram diferenas no uso da lngua, assim como falantes que ocupam diferentes lugares na estrutura social ou que pertencem a geraes diferentes, ou mesmo falantes que so de sexo diferente. essa diversidade que passaremos a estudar a partir de agora. O estudo da variao diatpica considera a lngua em suas ocorrncias regionais comunidades lingsticas -. Suas manifestaes consideram que, hipoteticamente, h uma linguagem comum sob o ponto de vista geogrfico, sendo, geralmente, compreendida e aceita, visto que contribui para o nivelamento das diferenas regionais. Destaca-se que determinados traos distinguem a linguagem urbana da rural. Considerando-se a linguagem urbana mais prxima da linguagem comum, pela ao decisiva que recebe dos fatores culturais (escola, meios de comunicao, literatura,...); enquanto que a rural conserva traos mais conservadores e isolados, tendendo extino, visto as influncias da vida urbana. Sobre isso nos diz Labov (1972), que os dialetos rurais podem transformar-se em dialetos de classe nas zonas metropolitanas, com decorrncia da migrao dos falantes rurais para as ocupaes urbanas de menor prestgio. Voc compreendeu o que eles disseram? Variao Diatpica ou Regional 29. 29 O estudo da variao diastrtica leva em conta a classe social a que o indivduo pertence, influenciando no seu modo de falar. Tem influncia, ainda, a sua escolaridade. Infelizmente, comum em nosso pas que as classes de baixa renda apresentem maior ndice de analfabetismo. o que est demonstrado na charge acima. Alm do grau de escolaridade, outros fatores, segundo Dino Preti (1997, p.38) podem influenciar na fala, a exemplo de: a) idade: as variaes devidas s vrias faixas etrias se restringem muito mais ao vocabulrio, s palavras utilizadas, visto que a linguagem jovem considerado um vocabulrio grio, e, de certo modo, vago. A, a Tati , cara, assim, fala srio, uma gata muito maneira, supercabea, a gente conversa sobre tudo numa boa. (Maurinho, amigo de Tati personagem de Helosa Priss ao se referir ao lanamento do livro o Dirio da Tati) b) sexo: a oposio da linguagem do homem/linguagem da mulher pode determinar diferenas sensveis no tocante ao vocabulrio. Entretanto, essa oposio vem gradativamente perdendo sua significao, visto que, especialmente, nos grandes centros, a mulher tem cada vez mais igualado seus hbitos e modo de viver ao dos homens. c) raa ou cultura: variaes ligadas a fatores etnolgicos, ou seja, o estudo histrico dos povos e suas culturas. No Brasil, destaca-se a influncia nos falantes que residem em zonas de maior imigrao negra. Variao Diastrtica ou Socioculturais Conforme vimos nas demais variaes, a lngua varia em vrias dimenses em funo das circunstncias especficas em que se realiza o ato de fala, conforme o canal utilizado na comunicao, conforme o grau de intimidade existente entre os interlocutores, conforme o assunto tratado, o local em que ocorre a interao. Assim que diferentes recursos da lngua so mobilizados segundo as circunstncias em que o falante esteja se comunicando, oralmente ou por escrito, conforme a situao de fala permita um estilo mais informal ou exija uma linguagem mais formal. disso que trata a variao estilstica ou diafsica. Considerando, ainda, que a variao estilstica uma realidade da qual os falantes no podem escapar, o desempenho dos falantes em situaes de diferentes graus de formalidade, permite a observao de diferenas na norma culta, em correspondncia a diferentes graus de formalidade na elocuo. Deve-se observar, ainda, que, considerando- se que os falantes no escrevem como falam, a norma culta se desdobra em uma modalidade oral e uma modalidade escrita. Variao Diafsica ou Estilstica 30. 30 Introduo aos Estudos Lingsticos Na variao diafsica, pode-se estabelecer a hiptese de que o mesmo falante use as formas andar ou and, fazer ou faz, apagando parte de palavras quando est numa situao de bastante informalidade (por exemplo, numa conversa familiar), diferentemente do que muito provavelmente faria numa situao de maior formalidade - como em uma apresentao. (FIORIN, 2002). Em nossa sociedade, desfruta de prestgio aquele que utiliza a chamada lngua padro. Entende-se como padro, o portugus usado pelo segmento da populao que tem bastante escolaridade o chamado portugus culto ou norma culta. a variedade que ensinada na escola, que usada nos documentos oficiais e em livros, jornais, revistas, televiso e rdio. Entretanto, considerando-se a extensa rea do pas, e a existncia de vrios centros urbanos importantes, dos quais origina a norma culta, faz-se necessrio reconhecer que essa norma apresenta algumas diferenas de regio para regio. Portanto, no h como existir uma nica norma culta vigente em todo o pas. Com o estudo das variaes lingsticas, reforamos a nossa percepo de a linguagem que utilizamos no transmite apenas nossas idias, mas tambm um conjunto de informaes sobre quem somos socialmente, em que regio vivemos, at mesmo os nossos valores ou seja parafraseando uma frase bastante conhecida: - diga-me o que dizes e dir-te-ei quem s!. Assim, a lngua um poderoso instrumento de ao social. Por isso e para isso, convm salientar que, enquanto futuros professores de Lngua Portuguesa, devemos ensinar a norma culta, mas respeitando sempre as diferenas, pois no nosso papel condenar ou eliminar a lngua falada pelos nossos alunos em seu ambiente familiar. Saber usar bem uma lngua equivale a empreg-la de modo adequado nas mais distintas situaes sociais. Para entender um pouco mais este tema, vamos falar agora sobre os dialetos. Voc sabe o que isso? Segundo Halliday (1974) apud Preti (1997), um dialeto uma variedade de uma lngua diferenciada de acordo com o usurio: grupos diferentes de pessoas no interior da comunidade lingstica falam diferentes dialetos. Desse modo, possvel que ocorram em qualquer rea geogrfica (embora sejam mais freqentes na linguagem urbana), identificar e descrever um sistema de variedades scio-culturais da linguagem a qual se denomina dialetos sociais. No se pode esperar que os dialetos sociais sejam to claramente distintos, como os regionais, por exemplo, mas duas variveis podem ser apresentadas, pois convivem numa mesma comunidade, cada uma desempenhando especificamente o seu papel fenmeno conhecido por diglosia. Em snteseEm snteseEm snteseEm snteseEm sntese............... Variao ou variantes lingsticos so as variaes que uma lngua apresenta de acordo com as condies sociais, culturais, regionais e histricas em que utilizada. Variantes, Grias e Tabus 31. 31 Estamos nos referindo ao uso da linguagem culta ou padro e uma linguagem popular ou subpadro. A primeira traz maior prestgio para os seus falantes e , normalmente, utilizada em situaes de maior formalidade; a segunda, por sua vez, de menor prestgio, utilizada nas situaes coloquiais, de menor formalidade. Genericamente, poderamos apresentar utilizar o exemplo utilizado por Ferguson: Naturalmente, h controvrsias quanto a alguns destes elementos, se considerarmos, por exemplo, os discursos polticos que temos assistido... Funo Dialeto culto popular aula universitria, conferncias, sermes discursos polticos programas culturais e noticirios de TV ou rdio programas de auditrio da TV conversa entre amigos ou em famlia irradiao de futebol e outros esportes novelas de rdio e TV comunicaes cientficas entrevistas com intelectuais a propsito de temas cientficos / artsticos expresso de estados emocionais, confisses, anedotas, narrativas X - X X X X X X X X - - - - - - - - - X Poderamos ainda fazer a seguinte sntese quantos aos nveis de linguagem: CULCULCULCULCULTTTTTOOOOO comumcomumcomumcomumcomum POPULARPOPULARPOPULARPOPULARPOPULAR padro lingstico; maior prestgio; situaes mais formais; falantes cultos; literatura e linguagem escrita; sintaxe mais complexa; vocabulrio tcnico; maior ligao com a gramtica e com a lngua dos escritores, etc. subpadro lingstico; menor prestgio; situaes menos formais; falantes do povo menos culto; linguagem escrita popular; simplificao sinttica; vocabulrio mais restrito; gria, linguagem obscena; fora dos padres da gramtica tradicional. DIALETOSSOCIAS { { 32. 32 Introduo aos Estudos Lingsticos Sendo que o nvel intermedirio ou comum seria um meio-termo entre o nvel culto e popular, cabe observar que essas subdivises no so perfeitas quando didaticamente estudadas, pois no to simples traar um limite entre os nveis. Ficam alguns questionamentos para reflexo: Em sua fala, onde comea ou termina o nvel popular?At onde vai o nvel culto? Viu como no to simples? Voc j devia estar se perguntando, e a gria? A gria um dos muitos dialetos de uma lngua. Normalmente criada por um grupo social como o dos fs de rap, de havy metal, o dos que praticam uma determinada luta como a capoeira, dos internautas, etc. Observe alguns termos utilizados pelos grafiteiros: As grias, quando ligadas s profisses, passam a ser chamada de jargo. o caso do jargo dos jornalistas, dos mdicos, dos dentistas e de tantos outros profissionais. Dino Preti nos diz: Antigamente, jargo era a gria dos marginais, mas, at hoje, h estudos nos quais a palavra usada como sinnimo de gria. Mas isso gera uma confuso grande, afirma. Ainda de acordo com o mesmo autor, jargo a linguagem cientfica ou tcnica banalizada. Por definio, uma forma de falar inadequada situao. A pessoa quer se promover, mostrar que fala uma linguagem que o outro desconhece, o que disfara uma ignorncia. , conforme nos diz Luis Fernando Verssimo em As Mentiras que os homens contam. fcil apontar o jargo dos outros, difcil viver sem um. Do telemarketing ao ministrio, da mecnica ao magistrio, toda atividade tem vocabulrio prprio. Cada especialista recorre sua rebimboca da parafuseta ou sua poltica fiscal contracclica. Ento, por que a censura? O jargo tem um sentido mais pejorativo nos meios acadmicos, mas, na verdade, a prpria academia o usa muito, diz Preti. Gria e Jargo 33. 33 Leia atentamente o texto abaixo. Trata-se de uma msica cantada por Zeca Baleiro, um poeta/compositor maranhense, que, de forma divertida e bem humorada, nos apresenta a oposio de duas foras: Deus e o diabo. Heavy Metal Do Senhor O cara mais underground que eu conheo o diabo que no inferno toca cover das canes celestiais com sua banda formada s por anjos decados a platia pega fogo quando rolam os festivais enquanto isso Deus brinca de gangorra no playground do cu com santos que j foram homens de pecado de repente os santos falam toca Deus um som maneiro e Deus fala aguenta vou rolar um som pesado a banda cover do diabo acho que j t por fora o mercado t de olho no som que Deus criou com trombetas distorcidas e harpas envenenadas mundo inteiro vai pirar com o heavy metal do Senhor ComplementaresComplementaresComplementaresComplementaresComplementares AtividadesAtividadesAtividadesAtividadesAtividades 11111..... Identifique os dialetos sociais utilizados. Para isso, identifique a qual grupo social pode ser associado as palavras ou expresses como: -underground, som, som pesado, heavy metal; -inferno, canes celestiais, anjos, Deus, santos, homens decados; -cara, cover, pega fogo, maneiro, rolar, t de olho, envenenadas, pirar. b) Identifique os elementos que denotam uma variao cultural.a) 34. 34 Introduo aos Estudos Lingsticos Suponha que voc seja um criador de campanhas publicitrias e que tenha sido contratado por uma indstria de perfumes para produzir os textos de propaganda de uma nova linha masculina. Levando em conta as caractersticas prprias da linguagem de cada grupo social, escreva um pequeno texto dirigido a cada um dos seguintes tipos de pblico consumidor do produto: 2.2.2.2.2. a) jovens adolescentes urbanos b) homens de elevado padro socioeconmico Leia atentamente as frases abaixo:3.3.3.3.3. I. O professor chamou ele no quadro. O professor o chamou no quadro. II. Os meninos tudo saiu. Todos os meninos saram. As frases acima e a charge, exemplificam o fenmeno da variao lingstica. Redija um texto, de uma pgina, explicando a ocorrncia desse fenmeno em nossa lngua. III. 35. 35 PERSPECTIVA DO ENFOQUE LINGSTICO GRAMTICA: CONSIDERAES GERAIS O ensino de lngua na escola a nica disciplina em que existe disputa entre duas perspectivas distintas, dois modos diferentes de encarar o fenmeno da linguagem: a doutrina gramatical tradicional, surgida no mundo helenstico no sculo III a.C. e a lingstica moderna, que se firmou como cincia autnoma no final do sculo XIX e incio do sculo XX. Marcos Bagno Para incio de conversa... Ouvimos o tempo inteiro o termo gramtica tradicional ou gramtica normativa, voc sabe por que ela assim denominada? sobre isso que conversaremos a partir de agora... Saussure define a gramtica como o estudo de uma lngua examinada como um sistema de meios de expresso (1992, p.185) Mattoso Cmara Jr., no Dicionrio de Lingstica e Gramtica, nos diz que mais estritamente o estudo dos morfemas, ou morfologia, e dos processos de estruturao do sintagma. Pode-se acrescentar o estudo dos traos fnicos e da grafia correspondente, que permitem a apreenso lingstica pela distino acstica dos elementos enunciados, na lngua oral fonologia e fonmica -, e, na escrita, a leitura do texto. Trata, assim, a gramtica: a) dos fonemas e sua combinao; b) dos morfemas e sua estruturao no vocbulo (sintagma lexical); c) dos sintagma de vocbulos. Desse modo, a gramtica est dividida em trs partes gerais, respectivamente: Histria; divises: Gramtica Tradicional fonologia, morfologia e sintaxe. Desde a sua origem Sculos V IV a.C. - a gramtica estabeleceu as regras, consideradas as melhores, para a lngua escrita, baseada no uso que dela faziam seus usurios escritores, poetas e prosadores. Etimologicamente a arte de escrever, esclarecendo, assim, o seu objetivo. O estudo da gramtica, na Grcia Antiga, apresenta trs diferentes perodos:, pr- socrticos, esticos e alexandrinos. 36. 36 Introduo aos Estudos Lingsticos 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 1234567890123456712345678901234567 12345678901234567 1234567890123456712345678901234567 12345678901234567 1234567890123456712345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 1234567890123456712345678901234567 12345678901234567 1234567890123456712345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 1234567890123456712345678901234567 12345678901234567 1234567890123456712345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 1234567890123456712345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 1234567890123456712345678901234567 12345678901234567 1234567890123456712345678901234567 12345678901234567 1234567890123456712345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 1234567890123456712345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 Scrates, Aristteles e Plato Nesta poca, a lngua no era uma preocupao independente, encontrando-se esparsa na obra de cada pensador do perodo. As reflexes sobre a lngua eram feitas a partir de um cunho filosfico. Plato discute a origem das lnguas escrevendo um dilogo (Crtilo) dedicado origem da lngua: todo enunciado tem dois elementos principais: um tema e uma rema (rema aquilo que se fala sobre o tema) ou seja, cria-se a a diviso da orao em um elemento nominal e um elemento verbal, estabelecendo-se, conseqentemente, as classes do nome e do verbo. Plato lana trs classes gramaticais: substantivo, verbo e o adjetivo. Aristteles acrescentou a estas duas classes as conjunes que as considerava como um elemento de ligao, no as distinguia, assim, das preposies, artigos e pronomes. Os esticos consideravam que o homem tinha uma mente em branco que ia sendo escrita com as experincias durante a vida estas experincias eram traduzidas a partir da lngua. Trataram da pronncia, da etimologia e das classes de palavras e paradigmas flexionais (separadamente) privilegiando o estudo gramatical, mas, ainda, sem estar interessado na lngua em si mesma, pois, como filsofos, estudavam a lngua como expresso do pensamento e dos sentimentos. Os esticos foram os que mais se ocuparam com os estudos da gramtica. Embora os escritos dos primeiros esticos sobre gramtica se tenham perdido, ficaram, todavia,alguns dos seus resultados conhecidos por informaes de terceiros. A gramtica dos esticos oferece quatro classes das palavras: nome, verbo, conjuno, artigo. Nesta classificao os adjetivos so citados entre os nomes. Dividindo posteriormente entre nomes prprios e comuns, passaram os esticos a referir-se a cinco classes de palavras. Introduziram tambm a distino entre caso reto, - o nominativo, - e os casos oblquos, - acusativo, genitivo, dativo. O nominativo seria a forma primeira; os demais, dele derivados. Classificaram os verbos em passivos e ativos, e assim tambm em transitivos e neutros (intransitivos). Distinguiram entre aspectos concluso e inconcluso do verbo. Deixaram os esticos de inserir nos casos (como fizera Aristteles) a distino do verbo em presente, passado e futuro. Assim denominados por se referirem aos sbios da Alexandria. Destacaram-se nestes perodo: Dionsio da Trcia (sc. II a.C.) produziu a mais antiga das gramticas gregas que se tem notcia. Nela, descreveu duas unidades bsicas: a sentena (logos) e o vocbulo (lexis). Cuidou principalmente dos vocbulos, que so partes do discurso (meros lgou), arrolando ao todo oito classes: artigo, nome, verbo , princpio, pronome, advrbio e conjugao.Trs sculos mais tarde, Apolnio Dscolo completar os estudos de Dionsio com o desenvolvimento da sintaxe, mostrando na orao a binaridade - nome verbo - , e ainda apontando as relaes de concordncia destas duas classes entre si e com as demais. Ainda que no alcanando uma gramtica plena, os trabalhos de Dionsio daTrcia e Apolnio Dscolo integram ainda hoje o sistema que se apresenta como sendo o da lngua padro. Perodo Pr-socrtico Perodo dosesticos Perodo dosAlexandrinos 112345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 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Alguns gramticos e datas que devem ser destacadas: Conhecemos um pouco da histria de nossa Gramtica.... Vamos avanar na linha do tempo e conhecer alguns dos movimentos do sculo XX. - Varro (sc. I a.C.): o primeiro romano a escrever sobre a lngua latina; - Donato (sc. IV d.C; Prisciliano (sc VI d.C): gramticas com fins pedaggicos e descreviam o latim clssico; - Joo de Barros (1540): primeira reflexo da lngua portuguesa. Tentativa de normatizar a escrita de algumas palavras; - Sculo XVII - Jernimo Sares Barbosa: Gramtica Filosfica da Lngua Portuguesa; - Sculo XVII (1660): Gramtica de Port-Royal; - Final do sculo XVIII: descoberta dos Snscritos, levando descoberta da famlia das lnguas ; - Sculo XIX Verdadeira revoluo: incio dos estudos lingsticos. O Estruturalismo, inspirado no Curso de Lingstica Geral, de Saussure, nunca considerou o falante como elemento importante na produo lingstica. O objeto de estudo dos estruturalistas a lngua por ela mesma.Asua inteno era simplesmente a de descrever os diversos sistemas lingsticos, independentemente das condies de produo ou at mesmo dos falantes que deles faziam uso. Se por um lado essa postura proporcionou Lingstica o status de cincia formalmente constituda, por outro acabou gerando uma srie de equvocos, no s no que se refere ao estudo das lnguas, mas tambm em relao aos mtodos de ensino que passaram a ser siga o modelo (prtica ainda comum nos dias atuais, quando se d maior importncia criatividade individual). Estuda a lngua como um objeto sincrnico. Outro movimento moderno o Gerativismo, baseado nos estudos de Noam Chomsky. Esta teoria passou a ser conhecida a partir da publicao de Syntatic Structures e desde ento se transformou numa referncia obrigatria para os estudos referentes linguagem humana impondo perspectivas com alto poder de convencimento. O gerativismo se prope a explicar os fatos lingsticos e usa as intuies para julgar a sentena. De acordo com a teoria de Chomsky, a mente deve ser estudada assim como se estuda o corpo humano; cada parte do crebro tem sua funo, portanto, existe uma parte que responsvel pela linguagem. A gramtica gerativista retrata o conhecimento mental que os falantes possuem da lngua que a competncia lingstica. Esse conhecimento mesmo que no seja usado est guardado no crebro. O uso que cada indivduo faz desse conhecimento no dia-a-dia chamado de desempenho, mas no recebe muita importncia do gerativismo. Chomsky estabeleceu dois tipos de gramticas dentro do gerativismo. Uma delas a Gramtica Universal (GU), j mencionada anteriormente.Aoutra a Gramtica Particular (GP) que se utiliza da gramtica universal e tambm das caractersticas prprias de cada Escolas e Movimentos Modernos 38. 38 Introduo aos Estudos Lingsticos lngua. Os elementos da lngua fazem parte da GU, j a forma e ordem de como esses elementos so organizados na linguagem fazem parte da GP. O Estruturalismo e o Gerativismo integram a tradio formalista.Ambas as perspectivas no fazem indagaes sobre a criao das estruturas numa dada situao social. Os dois modelos se distinguem na medida em que o Estruturalismo postula a lngua como uma estrutura composta de diferentes construes, enquanto que o Gerativismo se prende forma como a linguagem adquirida.O Funcionalismo surge aps a II Guerra Mundial atravs dos membros da Escola de Praga, com destaque para Roman Jakobson e Nikolaj Trubetzkoy. Caracteriza-se pela crena de que a estrutura fonolgica, gramatical e semntica das lnguas determinada pelas funes que tm que exercer nas sociedades em que operam. No tm uma gramtica, pois entendem que a funo principal da lngua a comunicao. Desse modo, a lngua utilizada como interao social, cujo correlato psicolgico a competncia comunicativa.Apartir do funcionalismo surgem os estudos sobre a gramaticalizao. Vimos que a gramtica originalmente traz em si o conceito de arte de escrever ; logo, privilegia a lngua escrita, correta, dos grandes escritores. Mas, aprendemos tambm que o termo correto, que um juzo de valor, precisa levar em conta a funcionalidade da lngua atravs das variaes diatpica, diastrtica ou diafsica. O modo exemplar pertence lngua histrica, enquanto que o correto (ou incorreto) situa-se no plano da estrutura da lngua funcional. Partindo desta reflexo, vamos aos conceitos de gramtica: Os Vrios Conceitos de Gramtica 12345678901234567890123 12345678901234567890123 1234567890123456789012312345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 1234567890123456789012312345678901234567890123 1234567890123456789012312345678901234567890123 1234567890123456789012312345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 1234567890123456789012312345678901234567890123 1234567890123456789012312345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 1234567890123456789012312345678901234567890123 1234567890123456789012312345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 1234567890123456789012312345678901234567890123 1234567890123456789012312345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 12345678901234567890123 1234567890123456789012312345678901234567890123 1234567890123456789012312345678901234567890123 1234567890123456789012312345678901234567890123 1234567890123456789012312345678901234567890123 1234567890123456789012312345678901234567890123 1234567890123456789012312345678901234567890123 1234567890123456789012312345678901234567890123 12345678901234567890123 Representa uma concepo mais precisa e completa que outros modelos de gramtica; d regras explcitas e ordenadas; geram um nmero infinito de construes gramaticais. Como falhas aponta-se o no fornecimento de elementos para exerccios estruturais e a preocupao com a competncia e no com o desempenho. Mattoso Cmara Jr., (2004, p.11) define como o estudo do mecanismo pelo qual uma dada lngua funciona num dado momento (syn- [reunio], chrnos [tempo]), como meio de comunicao entre os seus falantes, e na anlise da estrutura, ou configurao formal que nesse momento a caracteriza. Quando Mattoso Cmara utiliza o termo gramtica descritiva, ou sincrnica, sem outro qualificativo, entende-se tal estudo e anlise como referente ao momento atual, ou presente. Recomenda como se deve falar e escrever, segundo o u